O que acontece dentro do joelho após uma aplicação de PRP?
O Plasma Rico em Plaquetas ganhou espaço no tratamento da artrose do joelho, principalmente depois que o Conselho Federal de Medicina regulamentou sua utilização para essa condição em 2026.
Mas entender o procedimento é importante para não criar expectativas que ele não consegue cumprir.
Dr. Mauro Júnior, ortopedista especialista em cirurgia do joelho e membro da SBCJ, explica que o PRP começa fora da articulação.
Primeiro, é realizada a coleta do sangue do próprio paciente.
Em seguida, esse sangue passa por uma centrífuga, equipamento que gira em alta velocidade e separa os componentes sanguíneos.
A partir desse processo, é possível produzir uma preparação com maior concentração de plaquetas.
E são justamente essas plaquetas que estão no centro do tratamento.
Elas carregam fatores de crescimento e citocinas envolvidos em mecanismos biológicos e inflamatórios.
Quando o PRP é aplicado no joelho de um paciente adequadamente selecionado, a proposta não é criar uma cartilagem nova do zero.
O objetivo é atuar sobre o ambiente da articulação, principalmente sobre componentes relacionados à inflamação, buscando reduzir dor e melhorar a função.
A analogia utilizada por Dr. Mauro Júnior é simples: em um terreno completamente deserto, apenas colocar água não faz uma floresta aparecer.
Da mesma maneira, não se deve esperar que uma cartilagem completamente destruída seja reconstruída por uma infiltração.
É por isso que o estágio da artrose tem importância.
Segundo o especialista, pacientes até o grau 3 podem apresentar indicação favorável, enquanto casos com deformidades severas, bloqueios ou perda importante da amplitude de movimento precisam ser avaliados com cautela.
Depois da aplicação, a resposta ocorre gradualmente.
O paciente pode perceber melhora ao longo de aproximadamente 30 a 60 dias.
Nesse período, fisioterapia e fortalecimento continuam sendo necessários, assim como a adaptação temporária dos exercícios de impacto.
Em pacientes selecionados, também existe a possibilidade de utilizar PRP associado ao ácido hialurônico.
A decisão deve ser individual.
Mauro Júnior ressalta que nenhuma dessas alternativas deve ser apresentada como promessa de eliminação completa da artrose ou dos sintomas.
Para determinados pacientes, obter melhora entre 60% e 70% dos sintomas já pode significar recuperar atividades, reduzir limitações e melhorar significativamente a qualidade de vida.
A avaliação especializada é o primeiro passo para descobrir se essa estratégia realmente faz sentido para aquele joelho.



